Tre Ore – parte 3: Eis a sua mãe!

By | 19 de abril de 2019

O terceiro entre os sete últimos ditos de Cristo foi “Mulher, eis aqui o teu filho. Eis a tua mãe” (Jo 19,26-27).

                   Se aproxima o momento de Sua morte. O Senhor, então, entrega Sua mãezinha aos cuidados de São João, o apóstolo. Essa é um dos níveis de interpretação. Na antiguidade, uma mulher sem marido e filhos teria que se casar e gerar filhos para sobreviver. Entregando Sua mãe a São João como a um filho, ela teria família e cuidados.

                   Em outra camada de interpretação, temos o aspecto do cumprimento messiânico. Para o homem moderno, se dirigir à mãe como ‘mulher’ seria um tratamento senão agressivo, ao menos por demais impessoal. Na antiguidade, no entanto, era um sinal de carinho. Porém, o que está acontecendo aqui é mais profundo. O Senhor cumpre o que foi dito no começo dos tempos, no ‘Protoevangelho’ (Gn 3,15), quando o Senhor colocaria iniquidade entre Satanás e a ‘mulher’ cuja descendência o Inimigo perseguiria. Dessa maneira, o Senhor confirma mais uma vez Maria como a Nova Eva, a que corrigiria os erros da primeira.

                   Nossa Senhora é também entregue como mãe de todos nós, pois São João é um símbolo para todos os discípulos de Cristo, ou seja, todo cristão. São João representa todo filho que agora tem uma mãe para sempre, e Maria teria filhos para cuidar.

                   É sob o cuidado maternal de Maria Santíssima que somos colocados. No original, em Grego, a expressão usada para o que em Português é sempre traduzido por ‘eis’ (aqui está) vem da palavra ‘óráo‘ (ὁράω) que quer realmente expressar uma apresentação, como ‘veja’. Contudo, é importante notar que o sentido também é de ‘entender’, ou ‘discernir’. Mais que uma apresentação, o Senhor quer que todos nós entendamos o papel que Ele tem para Maria em nossas vidas, para que possamos discernir nossa filiação divina através de uma mãe que jamais desampara os filhos que foram entregues a ela.

                   Somos gratos por fazer parte da família divina. Uma família completa, com uma mãe carinhosa que intercede a nossa favor com Seu Filho, não diminui a Glória de Deus, mas a eleva. O Senhor, lembra São João Paulo II, “em Seu mistério mais profundo, não é solidão, mas uma família” (Homilia no México, 1979).

                   Uma família é o que o Senhor quer para nós, porque uma família o Senhor é. A família é o ápice do amor na terra, um reflexo de Cristo, o amor feito homem.

                   Cristo no amou tanto até o fim que nos deu Sua própria mãe. Que possamos apreciar esse grande mistério da família divina refletindo sobre a bênção de uma Mãe que ama todos os filhos e os quer de volta ao lar.

                   Em Cristo, entregue à proteção da Virgem Maria,

                   um Papista

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