Tre Ore – Parte 2: ainda hoje no Paraíso

By | 18 de abril de 2019

Examinemos agora o segundo dito do Senhor nas suas três últimas horas antes da morte na Cruz: “Em verdade eu te digo: ainda hoje você estará comigo no Paraíso” (Lc 23,43).

            Muitas pessoas entendem erradamente a salvação como algo formulaico. Nesse pensamento, você é salvo cumprindo uma série de prescrições. Esse legalismo, no fundo, soterra um aspecto da verdade enquanto nubla outro. Nós somos dependentes dos Sacramentos para viver a Graça divina, nos justificar e santificar. Porém, o Senhor não depende deles. Nós realmente precisamos cumprir certos preceitos divinos para melhor viver e, quem sabe, alcançar a graça da salvação. Porém, a salvação é uma bênção exclusivamente dada por Deus a quem Ele quiser.

            Em suma: Deus nos deu os Sacramentos para que, através deles, possamos caminhar melhor no caminho da santificação. Entretanto, a nossa salvação não é algo automático ou preso a esse cumprimento. Ela ainda é absolutamente dependente da vontade de Deus que, do outro lado, não está preso ao nosso cumprimento. Ele dispensa a Sua graça a quem quiser e como quiser.

            É exatamente por isso que o ladrão na cruz é salvo. Cristo não diz: “infelizmente, não será possível. Você teria que descer, ser batizado, confessar seus pecados, comungar e viver retamente”. Ele diz: “hoje você estará comigo no Paraíso“. O Senhor concede a Sua Graça como quiser.

            Isso em nada diminui os Sacramentos ou nossa obrigação de vivê-los. Para quem vive conhecendo o Senhor e a Sua Igreja, e tendo a oportunidade de escolher o Senhor Sacramental, evitá-lo é fazer o contrário do que fez São Dimas, o “bom ladrão”, que buscou o Senhor em Sua Paixão. Buscar o Senhor Eucarístico é fazer o mesmo que São Dimas fez na cruz.

            Não sabemos se seremos salvos se olharmos para os Sacramentos como pressupostos legais a ser cumpridos. Não sabemos se seremos salvos cumprindo as leis de Deus, mas sabemos que não seremos salvos se não as vivermos.

            A misericórdia do Senhor é a nossa esperança. Vivemos a fé no Cristo que lava os nossos pés para nos ensinar humildade e piedade. Para a plena vivência cristã, participamos dos Sacramentos. Eles são nos dão a Graça que nos permite viver a Lei (Jo 1,17; Rm 5,20).

            O Senhor é a nossa esperança. Vivemos a Sua Palavra em obras de amor. Na esperança de, assim como São Dimas, estar com Ele no Paraíso assim que Ele nos chamar.

            Em Cristo, entregue à proteção da Virgem Maria,

            um Papista

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