O que é Sabedoria? Um resumo bíblico.

By | 24 de outubro de 2018

Este artigo é parte do curso ministrado por mim no Mês da Bíblia 2018. O curso foi uma iniciativa do Instituto Superior de Ciências Religiosas (ISCR) e contou com vários professores apresentando a sua visão sobre o tema: ‘Escritos Sapienciais na Sagrada Escritura’.

Este é um resumo das minhas aulas, mais exatamente da introdução sobre o tema central. Espero que todos os leitores deste site possam aproveitar ainda mais o tesouro de Sabedoria Divina contida nas Escrituras. Que a partir deste breve resumo os leitores tenham ainda mais vontade de abrir a Bíblia, ler e, acima de tudo, viver a Sabedoria dos Escritos Sapienciais.

Antes de tudo, é preciso dizer o que são os ‘Escritos Sapienciais’. Esse é o conjunto de livros do Antigo Testamento que recebem este nome. Eles são:

– Jó

– Salmos

– Provérbios

– Eclesiastes (Qohelet)

– Cântico dos Cânticos (Cântico de Salomão)

– Sabedoria

– Eclesiástico (Sirácida)

Dito isso, vamos em frente com o objetivo deste resumo. No futuro, este pequeno curso se tornará um curso disponível na minha plataforma de cursos (ver artigo sobre o Curso Bíblico “Como Ler a Bíblia: a Teologia da Aliança”: http://www.papista.com.br/2018/08/01/curso-de-teologia-biblica/ )

 

O que é Sabedoria?

Para responder a essa complexa pergunta, nós temos que não apenas definir os nossos termos, como definir um escopo e um tema. Nesse caso, entre tantas características externas, como aspectos filosóficos, sociológicos etc, nós vamos optar por características internas, como o já citado gênero literário e, principalmente, no aspecto bíblico e exegético, ou seja: o nosso foco será em como a Sabedoria nos ensina a viver e aponta para o Cumprimento Messiânico em Jesus Cristo e o Reino dos Céus.

Alguns autores propõe que, como a perspectiva da Aliança, o tema central da narrativa histórica da salvação, não está tão aparente em certos livros sapienciais, então, segundo eles, esses livros trazem uma teologia distinta do resto das Escrituras.

Embora a Aliança e o cumprimento messiânico não estejam frontalmente presentes em alguns livros e passagens, é um erro retirá-los por inteiro. Em primeiro lugar, esses elementos são a base dos Salmos (poderia se argumentar sem apelação que é o livro mais importante entre eles) e estão presentes em outros livros, como veremos. Em segundo lugar, porque, embora a questão não seja o principal elemento no geral, isso não torna a teologia sapiencial em contraposição ao resto, mas complementar. Esse será o nosso foco para entender a Sabedoria.

Sabedoria, uma Aliança eterna para todos os homens:

Para entender a Sabedoria na Bíblia é preciso entender a Aliança divina. Uma Aliança é mais que uma promessa ou um contrato. Ela é um juramento sagrado forjado entre Deus e os homens. Tal juramento gera filiação divina. Somos filhos de Deus pela Aliança com Ele forjada. Somos acolhidos e protegidos no Seu caminho enquanto nos mantemos fiéis aos Seus Mandamentos.

A palavra em Latim para juramento é ‘Sacramentum‘, por isso os nossos Sacramentos são ratificações da nossa Aliança com o Senhor.

Em ‘2Sm 7‘, o profeta Natã anuncia ao Rei Davi que não será ele que fará uma casa para Deus, mas o Senhor que fará uma casa para Davi. Aqui está uma passagem carregada de significados. Tanto interpretativo da linguagem bíblica quando de teologia. O fato é que Deus está fazendo de Davi e sua linhagem um repouso para Israel, ao mesmo tempo em que estará dando um santuário central (o Templo) que seria construído não por Davi, mas pelo ‘Filho de Davi‘. A ‘linhagem de Davi’ reinaria para sempre.

Estupefato, o rei diz a Deus que isso é uma ‘Torah ha’Adam’ (Torah Adam), uma “Lei para todos os homens”, ou seja, uma lei eterna.

Naquele momento histórico, isso apontava para Salomão, o filho do rei Davi. Porém, sabemos que o Messias seria o ‘Filho de Davi’. Dessa forma, já vemos aqui uma pista do que viria no cumprimento messiânico em Cristo, como veremos mais adiante.

A formação do Templo, disse o Senhor, traria vários elementos que são fundamentais para se entender a Sabedoria na Bíblia:

– A Sabedoria tem um caráter prático, pois será uma eterna reflexão dos homens por uma vivência no mundo, mas em comunhão com o Senhor;

– tem um caráter litúrgico, pois vem com o fim de uma tenda itinerante e concentraria toda a vida do povo ao redor do Templo;

– seria um sinal de paz entre os fiéis a Deus.

Ao Rei Salomão seria dada a Sabedoria para seguir o Senhor e reinar cumprindo os Seus desígnios (1Rs 3,5-9). O rei deveria abrir as portas do reino para todos os povos. Esses povos veriam na Sabedoria de Israel um farol para se aproximar do único Deus. Dessa forma, o Reino de Israel, através da Sabedoria, é uma prefiguração da Igreja Católica (Universal), que a todos recebe e deve ser um farol no mundo, araindo a todos para uma união no Reino dos Céus.

Isso nos leva ao ponto crucial da importância da Literatura Sapiencial. Sendo ela parte da união dos povos e prefiguração de Cristo e Sua Igreja Católica, a Sabedoria em si é uma Aliança eterna aberta a todos os homens que do Senhor desejam se aproximar. Este é o primeiro ponto: a Sabedoria como uma Aliança eterna para todos os homens.

Sabedoria, enfim, é algo que parte do homem. Isso é simbolizado, como vimos, pela linguagem referente a atos práticos, como trabalhos manuais. De fato, a Sabedoria bíblica no AT é o símbolo daquilo que vem da razão para resolver problemas práticos da vida, se relacionando com Deus para se manter a Ele unido em vivência fiel e justa. É o conhecimento acumulado tanto para resolver problemas como para ensinar o bom caminho.

Sabedoria como a vivência que leva à paz do Senhor:

Um dos pré-requisitos para a construção do Templo, a sua instituição como o centro da vida de Israel, e único local para a realização da liturgia, era a paz.

Salomão cumpre parcialmente esta determinação e dá uma paz temporária a Israel. Tal paz é mantida pela Sabedoria que impressiona e atrai os povos ao bem viver. Espaço é criado no Templo, que é um micro-cosmos e uma prefiguração do Reino dos Céus, para os gentios, simbolizando o que se cumpriria na Igreja Católica.

A Sabedoria bíblica será um mapa para o fiel alcançar uma vida virtuosa e longe do erro e do pecado. Ela viria na forma dos escritos que hoje reverenciamos nas Escrituras. Seja como poemas, cânticos, preces, contos ou pura e simplesmente como provérbios, a Sabedoria conduz todo o povo para uma unidade por um único propósito: uma vida de retidão e um caminhar nas leis de Deus.

Nos Escritos Sapienciais, a paz é tanto o viver e a promessa; o lamento e o triunfo; o trabalho e a oração; o agora e a eternidade em Deus. A Sabedoria ensina regras simples, mas complexas em seu viver. Ela nos mostra as nossas falhas, as nossas derrotas, mas também nos mostra a esperança. Uma esperança que é tanto parte da nossa capacidade de reagir e mudar os nossos hábitos, como a esperança que vem da Graça de Deus.

A simplicidade de cada provérbio não deve camuflar para nós a dificuldade de colocá-los em prática.

O cantar diário dos Salmos não pode banalizar o retrato que eles são das nossas vidas, com suas derrotas e pecados, mas com imensa esperança no Senhor que viria para tudo colocar em seu lugar (Sl 110).

Os lamentos que ouviremos em algumas leituras dos Escritos Sapienciais não devem soterrar a imensa fé que eles nos prometem sobre o amanhã, pois o lamento é o começo da nossa virada pessoal, confissão a Deus e o recomeço na ratificação da Aliança, algo que podemos fazer todos os dias na Eucaristia.

Os ensinamentos sobre o caminho reto e as virtudes não podem parecer difíceis demais, pois Deus não nos dá mais do que podemos carregar (1Cor 10,13).

A dor e o sofrimento do justo devem ser entregues a Deus, pois Ele tem um propósito; Ele nos ama como filhos; e Ele enviou o Seu Filho para pregar as nossas dores em Sua Cruz.

Por fim, tudo isso forma um conjunto de Sabedoria inesgotável como é a Palavra de Deus. Tudo isso nos dá o subsídio para mudar o nosso caminho e viver a vida cristã. A Sabedoria nos conduz a Deus, pois “o temor de Deus é o começo da Sabedoria” (Sl 111), e o temor de Deus é o medo de perder o amor do Pai.

Salomão como prefiguração de Cristo, o Príncipe da Paz:

O Rei Salomão foi o símbolo da Sabedoria, o homem mais sábio do mundo. A sabedoria, como vimos, conduz à paz. De acordo com as Escrituras, a sabedoria une os povos e torna o homem virtuoso, pois ele teme a Deus e se arrepende dos seus pecados. O tempo de Salomão foi o grande momento da história de Israel, que vivia a liturgia no Templo e dele emanava o subsídio divino para a sabedoria, personificada por Salomão.

Salomão foi único. Alguém que personificava a sabedoria de tal forma que não houve outro como ele antes ou depois (1Rs 3,12). Mesmo assim, ele era apenas uma prefiguração de “alguém maior que Salomão” (Mt 12,42; Lc 11,31).

Se Salomão personificava a sabedoria no mundo, Jesus Cristo é a própria Sabedoria encarnada.

Se Salomão foi aquele que trouxe a paz a Israel, com a aproximação e união parcial dos povos em torno do Templo e a Sabedoria, ele era mera prefiguração de Cristo. O mesmo profeta Isaías nos diz que o Messias seria chamado, entre outras coisas, de ‘Príncipe da Paz’ (Is 9,5).

A Sabedoria vem de Deus, pois Ele é o juiz final; Ele é o autor das Leis; e a Sabedoria só existe enquanto se está em comunhão com as Leis da Aliança (Eclo 24,23; Eclo 38,24; Dt 4,6). Sabemos que Deus é a Sabedoria também porque as Escrituras nos dizem que ela é a criadora de tudo (Sb 7,21; Sb 8,4-5 etc). Ou seja, Deus é a Sabedoria.

Jesus veio ao mundo para demonstrar a Sabedoria em si mesmo. Ele dará a Nova Lei, uma que cumpre a antiga (os Mandamentos) e a eleva na Lei do Amor (Mt 5-7), as Bem-Aventuranças. Jesus falará por parábolas para confundir os sábios orgulhosos e trazer a sabedoria a quem com Ele estiver em comunhão.

Em conclusão: viver em Cristo é a única forma de se obter a paz. Embora a paz na terra seja sempre algo transitório e relativo, ela é possível em larga escala e em maior nível apenas se o mundo se converter e aceitar Jesus Cristo como seu Senhor e a Igreja Católica como a detentora e protetora da Sabedoria que vem em Cristo Jesus.

Em Cristo, entregue à proteção da Virgem Maria,

um Papista

 

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