A ilusão do paraíso na terra e a solução Eucarística

By | 10 de maio de 2018

A chamada “missa negra” é uma chacota satânica de uma realidade gloriosa. Uma realidade que mistura o acontecimento na matéria e no que é imaterial; no tempo e na eternidade; nos acidentes de pão e vinho do sacrifício terreno do Cordeiro e no corpo glorioso do Senhor na Banquete eterno do Cordeiro.

Essa união nos leva a algumas reflexões teológicas e outras práticas. A primeira é ignorar o espiritualismo vazio de algumas seitas (gnósticas ou não) que vêem a matéria como algo inerentemente ruim. Sabemos que Deus criou o mundo e viu que “tudo era bom” (Gn 1,31). A Missa, a Liturgia do Sacrifício do Cordeiro, une no Senhor essas duas realidades do material com o glorioso. Nela temos a certeza de que não pode existir um sentimento cristão que ignore a realidade, o mundo em que vivemos, a nossa vida como o mundo criado por Deus para nós; o mundo em que vivemos lutando para chegar nessa mesma perfeita união que veremos (se Deus quiser e, no meu caso, se eu cooperar mais) em breve.

Qualquer quebra dessa relação entre a vida no mundo e a vida espiritual caminha perigosamente para se tornar uma chacota dessa relação gloriosa. Esse erro de graves consequências não acontece por acaso ou repentinamente. Ele é fruto de muitos fatores. O primeiro é o pai da mentira (Jo 8,44), Satanás. Ignorar a sua existência e o seu constante apelo é ignorar a mensagem do Evangelho. Resistir, não ignorar, esse é o caminho. O segundo é o efeito do pecado no mundo. Em termos práticos, não teológicos, o pecado termina por causar uma desconexão com a realidade. Terminamos por abraçar o erro como quem cai em um vício. Essa desconexão tem severas consequências sobre todos.

Essa desconexão se espalha com a promessa de um paraíso sobre a terra. Um sistema de proteção social que faz da mensagem do Evangelho uma mera prática que promete o bem para todos. Essa promessa isola do mundo cristão a visão da eternidade. Da mesma forma que um mundo estritamente espiritual é a negação da Palavra de Deus, um mundo puramente material, em que a salvação se dá na terra e aqui frutifica, é igualmente satânico.

Tal pregação maliciosa ocorre todos os dias nos colégios, universidades, imprensa e entretenimento. Desconectando nossos filhos de Cristo, a plenitude da Revelação, as crianças crescem para se tornar adultos que, apesar de aparentemente deixar algumas coisas infantis de lado, permanecem desconectados da realidade. Perdem sua conexão ao acreditar que a mensagem de união da história com o eterno se tornou mera “práxis libertadora realizável através da implementação de um sistema social igualitário”.

São Paulo nos dizia: “Quando eu era criança, eu falava como uma criança, pensava como uma criança, eu raciocinava como uma criança; quando eu me tornei um homem, eu abandonei as coisas de criança” (1Cor 13,11). O problema do nosso tempo é que essa transição já não mais acontece. Adultos não largam as fantasias que lhes foram ensinadas na infância. Por um motivo muito simples: essas fantasias são passadas como realidades. O que na infância parecia mera vontade de pertencer a um grupo que prometia mudar o mundo, não mais desaparece depois da adolescência.

Embora os hábitos mudem, o principal problema persiste: a desconexão com a realidade. Estamos assistindo à uma geração de pessoas que cresceram desconectados da realidade chegando aos mais altos postos. São nossos vizinhos, conhecidos, familiares, mas também juízes, desembargadores e todo tipo de pessoa com o poder de interferir em nossas vidas das maneiras mais fundamentais.

É nesse momento que a desconexão se torna uma chacota satânica. Quando uma criminosa que assassinou a própria mãe, ou outra que matou a enteada quando deveria fazer o papel de mãe para ela, recebem o direito de passear no dia que homenageia as mães(!!!)1, não estamos falando de misericórdia, mas de uma desconexão que se tornou uma chacota demoníaca. Nos tornamos incapazes de perceber ou reagir. Nos movemos por ilusões e repetimos mantras de uma alternativa à realidade que promete paz na terra.

É a lei? Para o inferno (literalmente) para leis que não podem ser temperadas pelo bom senso ou servem ao mal. Se não houver opção, o problema continua: estamos reagindo contra o lado errado. Ao invés de reagir contra quem critica um absurdo desses, deveríamos reagir apenas contra a aplicação de uma lei que causa uma chacota sobre a vida e ao bom senso.

Os profetas alertavam sobre os falsos profetas, falsos mêssias até, que prometem paz quando não há paz (Jr 6,14; Ez 13,10), que diziam que tudo estava bem quando nada está bem. É preciso dar um basta, hoje!, no que nós e nossas famílias vemos e ouvimos e que distoa do Evangelho. Não é algo sem consequências, ou que passa após a infância. Já está claro que a experiência do falso pacifismo é a arma do inimigo. Não passa mais depois da infância porque as pessoas não largam mais a ilusão.

A chacota demoníaca, a idolatria a ideologias de falsa salvação, está ocorrendo bem na nossa frente. Os alvos são nossos filhos. Os alvos são as nossas almas! É a hora de abandonar os falsos profetas e as suas soluções ilusórias. Caridade, sim. Igualitarismo forçado, não. Salvação em Cristo, sim; falsa libertação social, não. Qualquer opção que não una tudo em Cristo oferece apenas essa maligna desconexão com a realidade.

Nossa única solução é a re-cristianização do mundo. Isso é a Nova Evangelização, a re-evangelização do mundo cristão, a nossa civilização ocidental. Para que o Evangelho seja o começo e o fim de todos os aspectos da nossa vida, seja espiritual, ou seja material; seja no mundo ou para além dele. Só o Evangelho nos conecta novamente à realidade, aquela em que matéria e espírito se encontram, a realidade última que nos é demonstrada e ofertada no Sacramento da Eucaristia, começo e fim das nossas vidas e nossa realidade.

A solução está bem na nossa frente e nos é oferecida todos os dias, em todos os altares.

Em Cristo, entregue à proteção da Virgem Maria,

um Papista

 

1 – https://g1.globo.com/sp/vale-do-paraiba-regiao/noticia/suzane-richthofen-deixa-prisao-para-saidinha-de-dia-das-maes.ghtml

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