Do alto do monte

By | 15 de agosto de 2017

Moisés nunca entrou na terra prometida. Por sua desobediência (Nm 20,7-12), o Senhor o avisou que ele morreria no alto do Monte Nebo (Dt 32,48-52). De lá ele veria a terra prometida, mas nela não entraria. É uma lição de amor duro para um povo de coração ainda mais duro; filhos que precisam ser guiados com firmeza. Deus garantiu a Moisés a glória nos céus, mas não na terra.

Crianças precisam de disciplina, e o resultado da falta de pulso firme e o papel da paternidade bem desempenhado é uma geração de homens frágeis e mimados. Deus não permitiu que isso acontecesse com Israel. O exemplo divino nas Escrituras é a chave para as nossas vidas. O mesmo amor que se doa é o que impõe limites. Limites que delimitam onde o homem encontrará felicidade e liberdade absolutas. Fora dessas linhas não há liberdade, mas caos. Apenas o amor mostra os limites. O desprezo os retira e os substitui por um falso amor que não se importa com o que acontece em seguida.

Se até mesmo Moisés passou por isso, e estamos falando de Moisés!, por que acreditar que conosco seria diferente? O juiz, legislador e profeta de Deus viu apenas de longe a terra prometida. Ali entraria o povo que ele guiou e por eles se sacrificou. Sua missão estava cumprida. Ele havia deixado Josué como o próximo líder e podia partir para junto dos seus sabendo que tinha feito a vontade de Deus.

Moisés é um ‘tipo’ (tipologia) de Cristo, uma sombra de uma realidade brilhante e completa em Jesus. Se Moisés não foi totalmente obediente, Cristo se entrega por inteiro por nós. O sacrifício de Moisés libertou o povo da escravidão do Egito; o sacrifício de Cristo nos liberta de algo muito pior, a escravidão do pecado. Cristo não viveu como um revolucionário libertador a prometer um reino na terra. Ele nos garantiu algo muito melhor: Ele abriu as portas para o Reino dos Céus.

São João nos conta (Jo 3,14) a alusão que Cristo faz sobre a situação teológica de Moisés. O profeta ergueu uma serpente de bronze para curar os Israelitas (Nm 21,4-9). Mesmo assim, o povo não entendeu nada além da cura terrena. Presenciou os sinais, mas só viu os efeitos imediatos para a sua vida, e não a intenção do autor. Para que isso enfim acontecesse, Jesus teria que ser levantado numa cruz no alto da montanha, e depois erguido aos céus pela Glória de Deus. Da mesma forma, o homem precisa ver para crer, e crendo terá a vida eterna (Jo 3,15).

Do alto do monte, vemos a terra prometida mas nela não conseguimos entrar. Nossas vidas são feitas de momentos de dúvida, hesitação, desobediência e, muitas vezes, dor. Dor que é causada pelos nossos erros. Apenas a entrega total a Jesus Cristo pode nos levar do deserto dos nossos pecados para a verdadeira terra prometida nos céus. É um longo caminho através da aridez da nossa teimosia e distanciamento, mas se acreditarmos e nos entregarmos, o final é o amor eterno em Deus.

Que a dureza da jornada não nos impeça de dizer o ‘sim’ ao Senhor. Que nossas atitudes sejam guiadas pelas promessas de Cristo, e não pela dor dos nossos pecados, que pela vergonha nos impede de recorrer a Deus. O perdão de Deus é certo se a Ele nos voltarmos. Não importa se não entrarmos no suposto paraíso na terra; não importa se do alto do monte parece que nós nunca chegaremos lá; pois sabemos que o Senhor venceu até mesmo o túmulo para nos abrir as portas do verdadeiro paraíso, Seu infinito amor.

Em Cristo, entregue à proteção da Virgem Maria,

um Papista

4 thoughts on “Do alto do monte

  1. Douglas Henrique

    Obrigado por tamanha reflexão. Cristo revelou-se, pela cruz e ressurreição, e ainda assim continuamos cegos. Sua brla reflexão ajuda a abrirmos um pouco o olho. Que Deus o abençoe e o conduza sempre. Um abraço!

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  2. Catarina fogas

    Como e bom poder ter acesso a estes escritos esclarecedores. Mt bom poder ampliar meus conhecimentos.
    Paz e bem

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