Uma homilia sobre a Quaresma.

By | 11 de Fevereiro de 2016

Faço mais uma pausa na sequência de artigos sobre os Doutores da Igreja. Mas é por (mais) uma boa causa. A Quaresma começou, e é hora de sacrifícios, mas também de esperança e alegria. É nesse espírito que eu tenho que postar a transcrição da homilia do padre Anthony Gerber na Quarta-feira de Cinzas. Tive a sorte de encontrá-la, e sinto que é uma obrigação passá-la adiante. É uma homilia de um pastor de ovelhas de verdade. Uma homilia como a maioria deveria ser. Que coloca o cristão no lugar dele: de criatura, de pecador, e de quem precisa amar a Deus! Mas que também encherá de esperança quem deixar o ego de lado e entender o amor. Para quem estranhar o estilo, lembre-se que desde as cartas paulinas, passando pelos Padres da Igreja, e só parando no modernismo, se pregou assim. A Quaresma, sem dúvida, é o momento de trazer isso de volta e, quem sabe, bem influenciar nossos pastores, para que eles não sejam apenas veículos de “autoajuda”, mas pastores que se preocupam tanto ao ponto de dizer a Verdade, mesmo que ela doa. Que Deus os abençoe nesse tempo maravilhoso de sacrifício quaresmal. Em Cristo, sob a proteção da Virgem Maria, um Papista.

 

                Isso é a Quaresma – homilia da Quarta-feira de Cinzas de 2016, do padre Anthony Gerber, da arquidiocese de St. Louis, EUA. Tradução livre minha. Publicada originalmente no site do padre Gerber: http://fathergerber.blogspot.com.br/2016/02/this-is-lent-homily-for-ash-wednesday.html?m=1

               

                “Você é um pecador.

                Você não amou o bastante.

                Você nem guardou todos os Mandamentos.

                Você não merece o céu.

                Você merece o inferno.”

                Quando você morrer e aparecer diante de Deus para o seu julgamento, o demônio vai acusá-lo com essas palavras. Até certo ponto, o demônio está certo: nós somos pecadores; não amamos o bastante; nós não merecemos o céu.

                As cinzas que nós recebemos hoje dizem isso. São cinzas; cinzas das folhas de palmeiras; palmeiras que nós balançamos no ano passado enquanto louvamos a Deus com nossos lábios, mas que se tornaram secas e ocas, e agora nós as queimamos. As cinzas representam nosso amor: nós nos amamos e ao nosso conforto; nós buscamos as coisas do mundo que passam e viram cinzas. Nós escolhemos as cinzas. E nos tornamos como elas.

                Elas são colocadas no mesmo lugar que uma vez recebemos o óleo do Espírito Santo na Crisma; no mesmo ponto em que nós, em todo domingo, dizemos “Glória a vós, Senhor”. O contraste é evidente: cinzas no local da glória, nos lembrando que nós não glorificamos a Deus; cinzas no local do óleo, nos lembrando que nós sacrificamos os dons do Espírito Santo e o Seu óleo de alegria pelas cinzas das armadilhas mundanas e confortos passageiros.

                Eu sei, esta homilia não nos faz ‘sentir bem’. Nós estamos admitindo que precisamos de um Salvador!

                Então as cinzas são marcadas na Cruz: “em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo”, pedindo a Deus para nos salvar pela mesma Cruz e por Ele que a carrega para nos dar a misericórdia e vida eterna no céu.

                Para essa oração por misericórdia, Jesus nos dá a resposta: “Arrependa-se e acredite no Evangelho”!

                Em outras palavras: se você quer ser salvo, se quer ser libertado de seus pecados e ir para o céu, se você quer essa nova vida, então você tem que dar meia-volta e fazer escolhas diferentes.

                Essa é a luta! E é pelas nossas almas!

                Você sentirá essa luta quando sentir o embrulho no estômago. Você sentirá essa luta quando sentir o apelo do conforto e o demônio lhe disser: “escolha o conforto, isso não é nada demais. Você não sente a vontade?”

                Você terá uma decisão a tomar. A decisão é sobre quem e o quê você ama.

                A Quaresma, portanto, não é simplesmente sobre um “plano de melhora pessoal” para perder peso ou se tornar mais eficiente em nossos afazeres diários. Claro, nós procuramos ser “a versão melhorada de nós mesmos”, mas esse não é todo o motivo da Quaresma (se você procura autoestima, tente um “especialista em autoajuda”).

                A Quaresma é para se amar a Deus de novo!

                É para se perceber como nós estivemos escravizados pelas coisas que não são Deus.

                É sobre lutar pelo amor de novo, entrando na batalha do sacrifício, oração e esmola.

                É sobre “o luto e as lágrimas” pelos nossos pecados. Até mesmo rezar por essa benção de lágrimas que chamamos de remorso.

                É sobre fazer o melhor que podemos para mostrar a Deus o nosso amor… e falhar miseravelmente!

                Sim, vocês ouviram certo: a Quaresma é sobre falhar miseravelmente! É sobre você chegando na segunda ou terceira semana escolhendo os pregos e espinhos do amor, para então negar a Deus por umas moedas de prata, o conforto, o egoísmo, amor-próprio egoísta.

                Nesse momento, você será colocado de joelhos, e você levantará os braços para os céus e dirá: “Senhor, eu não posso fazer isso sozinho! Senhor, me ajude! Eu sou tão ruim no amor!”

                Será então que você perceberá que você não pode chegar ao céu por si próprio, mesmo tendo tentado fazer tudo sozinho. É assim que nós temos vivido, não? Tentando fazer tudo por nós mesmos. Todo o tempo.

                Mas você não consegue! Você precisa de um Salvador.

                Você não pode “se fazer novo” com com algum “plano de melhora pessoal”.

                Você precisa de um Salvador. E Sua misericórdia. E sua Graça.

                Isso significa que você será humilhado e diminuir. E irá até ele se dizendo assim. Você é um Pedro que nega; um Judas que abandona; um Tomé que duvida… um ladrão na Cruz.

                Mas, Jesus, lembre-se de mim…

                Isso é a Quaresma. Ela começa com as cinzas.

                Que ela possa terminar com Jesus olhando para você com amor e dizendo: “Hoje você estará comigo no Paraíso!”

 

 

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